quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Mulheres de Atenas...

(ou o segredos das minhas patrícias...)

Chico Buarque, taí um cara que conhece a fundo a alma feminina.
Fora o artista, e um raro (e caro) amigo meu, cuja alma foi por mim apelidade de
"Puta Carente", somente as mulheres são capazes de apreender a sutil mensagem
desta canção...
Aos bons leitores, e claro, às patrícias...

Mulheres de Atenas

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
Quando amadas se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas, cadenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas
Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas, não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
As suas novenasSerenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A dormir...

Já percebeu como uma sobremesa se oferece?
Como as cerejas de um bolo, por exemplo, se avermelham diante dos nossos olhos?
Como a calda de um sorvete parece dançar enquanto escorre lenta e quente?
Irresistíveis...
A sedução de fato é uma coisa deliciosa.
Enfeitiçar os sentidos,
Intimar o sexo com os movimentos mais sutis.
Já ouvi muita gente chamar isso de “arte”,
Quanto a mim, prefiro chamar de código.
É como se o corpo da gente emitisse sons, desenhos, cheiros...
Símbolos a serem interpretados por outro corpo.
Essa explosão de mensagens convidando os seres “a se deitar”
Acontece o tempo todo e de muitas formas...
É válido apelar para roupas de couro, chicotes, fetiches...
Mas vou na linha da simplicidade.
Folheando uma revista velha li a seguinte frase:
“Não há nada mais sexy do que uma pessoa feliz a dormir”

Meus caros, boa noite...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Verborragia (ou “sexo verbal que faz meu estilo”)

As palavras saíam da boca jorrando como sangue numa ferida aberta.
Vinham de todos os lugares que a luz do sol não alcançava.
Surgiam da alma, da lama,
Dos dramas, das tramas,
Da cama das "damas"...

Entravam-me na pele
Esgarçando os poros, ouriçando os pelos,
Convulsionando a carne.
Os músculos eram todos voluntários...

Mais palavras cheias de luxúria
Que me violentavam os ouvidos,
Enfureciam a minha libido.
Provocavam uma luta entre a possessão e o tesão
Entre o ciúme e o gozo, venceram os dois...
Eu perdi pelo cansaço...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Areia nas mãos...

Tal como segurar areia nas mãos...
Não há força capaz de conter.
Escorre pelas frestas, pelos veios.
Arremessa o sangue pelas veias,
Avermelha as faces.

Tal como represar água entre os dedos...
Desliza erótica, contorna as curvas.
Esconde-se e volta a mostrar-se,
deixando um rastro úmido.

Tal como não amar...
Os olhos turvam, as palavras faltam.
O interior explode em sensações quase incontroláveis...
Há a maldade que apaixona, que delira...
Quando o sangue "tem a mesma tinta",
O desejo é irmão...